Joaquim Barbosa divulga nota de repúdio a declarações de Lula em TV portuguesa criticando o STF

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Joaquim Barbosa, presidente do STF, divulgou nota neste dia 28, segunda-feira, repudiando declarações do ex-presidente Lula em entrevista à TV RTP de Portugal, em que Lula disse que não houve mensalão e que as decisões do STF foram em sua maioria políticas e não jurídicas. Barbosa lamentou as declarações de Lula e expressou o mais veemente repúdio ao que chamou de “desqualificação do Supremo Tribunal Federal” feito pelo ex-presidente do Brasil em sua entrevista.

Veja a entrevista polêmica de Lula que gerou esse mal-estar com o STF: Em entrevista para TV portuguesa, Lula diz que mensalão não existiu e com tempo isso será provado

Barbosa falou do acesso a informações por toda a mídia e as partes simultaneamente, que demostrou publicamente e para todos os meios, que o julgamento obedeceu a lisura plena, e concluiu : “o juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome”

Veja a Nota em seu texto completo, assinada por Joaquim Barbosa:

Lamento profundamente que um ex-Presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte do País. A desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira, é um fato grave que merece o mais veemente repúdio. Essa iniciativa emite um sinal de desesperança para o cidadão comum, já indignado com a corrupção e a impunidade, e acuado pela violência. Os cidadãos brasileiros clamam por justiça.

A Ação Penal 470 foi conduzida de forma abasolutamente transparente. Pela primeira vez na história do Tribunal, todas as partes de um processo criminal puderam ter acesso simultaneamente aos autos, a partir de qualquer ponto do território nacional uma vez que toda a documentação fora digitalizada e estava disponível em rede. As cerca de 60 sessões do julgamento foram públicas, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, além de terem recebido cobertura jornalística de mais de uma centena de profissionais de veículos nacionais e estrangeiros. Os advogados dos réus acompanharam, desde o primeiro dia, todos os passos do andamento do processo e puderam requerer todas as diligências e provas indispensáveis ao exercício do direito de defesa.

Acolhida a denúncia em agosto de 2007, o Ministério Público e os réus tiveram oportunidade de indicar testemunhas. Foram indicadas, no total, cerca de 600. Acusação e defesa dispuseram de mais de quatro anos para trazer ao conhjecimento do Supremo Tribunal Federal as provas que eram do seu respectivo interesse.

Além da prova testemunhal, foram feitas inúmeras perícias, muitas delas realizadas por órgãos e entidades situadas na esfera de mando e influência do Presidente da República, tais como:

– Banco Central do Brasil;
– Banco do Brasil;
– Polícia Federal;
– COAF;

Também contribuíram para o resultado do julgamento provas resultantes de trabalhos técnicos elaborados por órgãos da Câmara dos Deputados, do Tribunal de Cotnas da União e por Comissão Parlamentar de Inquérito Mista do Congresso Nacional.

Portanto, o juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome.

Joaquim Barbosa
Presidente do Supremo Tribunal Federal

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